terça-feira, 23 de setembro de 2008

Um pouco mais sobre Di


Di Cavalcanti

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo, artisticamente conhecido como Di Cavalcanti, nasceu e morreu no Rio de Janeiro.
Um dos grandes idealizadores e incentivadores da Semana de Arte Moderna de 1922. Participou com trabalhos, entre ilustrações, estudos de painéis e pinturas de títulos sugestivos, como Ao Pé da Cruz, Intimidade, A Dúvida, Coqueteria ou A Piedade da Inerte, nas quais se observa certa persistência de tendências passadas, como Impressionismo, Simbolismo e Expressionismo.

Influências

Sofreu influência de diversos pintores, como Picasso, Gauguin, Matisse e Braque. Mas Cavalcante foi capaz de transformar essas influências numa produção muito pessoal e associada aos temas nacionais. É assim, por exemplo, em Pescadores (1951).


*Nesse ano (1951), a convite, participou da I Bienal de São Paulo, recebendo o prêmio de Melhor Pintor Nacional.

“Mulatismo”

Em cerca de sessenta anos de trabalho, Di Cavalcanti produziu milhares de obras; seduzido, sempre, pela figura humana, observada isoladamente ou em meio a cenários urbanos. Teve na mulata a sua marca inconfundível: Foi o primeiro artista brasileiro a exaltá-la, retratando-a de um jeito dengoso e tropical.

[Nascimento de Vênus (1940)]
[Onde Eu Estaria Feliz (1965)]
[Mulheres de Pescadores]
[Mulata com Gato Preto]

*A técnica e o estilo de Di Cavalcante mudaram com o tempo, mas o tema da mulher permaneceu constante em suas obras.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

100 anos de Di Cavalcanti




— "Não sou brasileiro nem português, sou Albuquerque de Pernambuco", assim se expressaria mais tarde o menino nascido Emiliano —6 de setembro de 1897 apelidado Didi, criado por sete amas de leite, entre saraus e poesias de Castro Alves... infância feliz no velho bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro. Fugidias escapadas à casa do tio Abolicionista José do Patrocínio, casado com tia Bibi, irmã de D. Rosália de Senna, sua mãe. Frederico Augusto, o militar austero, cedo negou ao menino irrequieto a proteção paterna. Partiu sem poder orgulhar-se do rapaz que iniciara a vida artística no ano de 1916, expondo em conjunto no Salão dos Humoristas.Aquele que se tornaria "glória nacional" idealista e autodidata, expôs individualmente na sede da Revista Cigarra em São Paulo, cidade que juntamente com Paris adotaria de coração como se nelas tivesse nascido.Em fevereiro de 1922, tomou-se o pioneiro idealizador da Semana de Arte Moderna, galgando o mundo, expondo em Paris, Bélgica, Amsterdam, Roma, Nova York, Buenos Aires, Montevidéu e México. Conquistou medalha de ouro através do quadro "Mulata Desnuda", tema preferido por seus admiradores, onde "— a mais loura brasileira é a minha mulata metafísica..."Sensualidade, arte barroca, erotismo, religiosidade, mulheres, cubismo, festas populares, samba e carnaval, burguesia, pescadores, natureza morta, folclore, flores, mar, impressionismo, paisagens, maternidade misturando-se a caricaturas, charges, portraits, paineis, murais, cenários e ilustrações.Pintou em 1929 para o Teatro João Caetano "Samba e Carnaval", considerados os primeiros painéis modernistas da América Latina.Escritor, Jornalista e Poeta publicou "Viagem da Minha Vida" e "Reminiscências Líricas de um Perfeito Carioca". Crónicas sobre suas vivências correram mundo. Como pintor, conquistou entre outros o prêmio de Melhor Pintor Nacional na II Bienal de São Paulo, recebeu o 1ro Prêmio na Mostra Internacional de Arte Sacra de Trieste, pelo quadro "Crucificação" adquirido pelo Instituto de Arte Litúrgica de Roma, Medalha de Ouro na II Bienal Interamericana do México e Prêmio Critica de Arte em 1971, por ocasião da Retrospectiva no Museu de Arte Modema de São Paulo.Suas obras espalham-se em Museus e coleções particulares por toda América Latina, Estados Unidos e Europa, destacando-se os quadros "Família" Museu de Arte de Montevidéu, "Scene Brésilienne" Museu de Arte Modema de Paris, "Via Sacra" Catedral de Brasília, "Cinco Moças de Guaratinguetá" Museu de Arte de São Paulo, "Ciganos" e o tríptico "Navio Negreiro" no Museu Nacional de Belas Artes e "seu Ateliê e Obra Inacabada" permanecem no Museu de Arte Moderna de São Paulo, doados após sua morte em 26 de outubro de 1976.— "Criar é acima de tudo dar substância ideal ao que existe."

Bibliografia: http://www.latinartmuseum.com/cavalcanti.htm

Emiliano Di Cavalcanti


Di Cavalcanti era um intelectual bem informado sobre as vanguardas modernistas do seu tempo, interessado não só por artes plásticas, mas por outras áreas também. Por isso mesmo, em 1921, o artista fora convidado a ilustrar o livro “Balada do Cárcere de Reading”, de Oscar Wilde, um dos mais significativos escritores contemporâneos.
Em 1923, Di Cavalcanti realiza viagem a Paris, freqüentando o ambiente intelectual e boêmio da época e convivendo com Picasso e Braque, entre outros, numa relação de admiração mútua. Sua experiência do contato com o cubismo, expressionismo e outras correntes artísticas inovadoras, conjugadas à consciência da sua posição de artista brasileiro, concorreram para aumentar a sua convicção no propósito de ousar e destruir velhas barreiras, colocando a arte brasileira em compasso com o que acontecia no mundo.
Di Cavalcanti sabia estar no caminho certo esteticamente e a viagem a Paris só reforçou as suas certezas. Entretanto, o ambiente do pintor não era o dos boulevares de Paris: Di Cavalcanti estava impregnado dos trópicos, de uma atmosfera sensual e quente.
À sua ousadia estética e perícia técnica, marcada pela definição dos volumes, pela riqueza das cores, pela luminosidade, vem somar-se a exploração de temas ligados ao seu cotidiano, que ele percebia com vitalidade e entusiasmo. A profunda inclinação aos prazeres da carne e a vida notívaga influenciaram sobremaneira sua obra: o Brasil das telas de Di Cavalcanti é carregado de lirismo, revelando símbolos de uma brasilidade personificada em mulatas que observam a vida passar, moças sensuais, foliões e pescadores. A sensualidade é imanente à obra do pintor e os prostíbulos são uma de suas marcas temáticas, assim como o carnaval e a festa, como se o cotidiano fosse um permanente deleitar-se. A originalidade de uma cultura constituída por um caldo de referências indígenas, européias e africanas, de forma contraditória e única, transparece em suas telas através de uma luminosidade ímpar. Marcada pela evolução constante em direção a uma técnica cada vez mais acurada, a obra de Di Cavalcanti pode ser situada numa tradição interpretativa do Brasil. Hoje, o pintor é um dos mais populares artistas brasileiros, alcançando enorme prestígio também no exterior: suas obras são disputadíssimas nos leilões internacionais, imprescindíveis a todas as coleções latino-americanas. A pintura de Di Cavalcanti representa toda uma imagem do país no mundo afora, ressaltando a sua exuberância natural e humana: é indiscutivelmente figura chave da arte brasileira. Todo o seu entendimento tem passagem obrigatória por Di Cavalcanti.

Bibliografia: http://www.latinartmuseum.com/cavalcanti.htm